Por; Redação Alvoroço

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um encontro com empresários realizado nesta segunda-feira (8), em São Paulo. O parlamentar comentou a posição do governo federal contrária à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Ao abordar o tema, Flávio afirmou que a medida adotada pelo governo norte-americano representa uma oportunidade para ampliar o combate às facções criminosas e criticou a postura adotada pelo Palácio do Planalto.
“[A classificação] é a maior oportunidade que nós temos de acabar com esse poder paralelo, que é o que eles são. Então não tem que ter tolerância, tem que ter unidade da nossa parte. Aí você olha para o presidente do Brasil, ele pensa o contrário. Parece que ele é o chefe do PCC. Muitas pessoas começam a pensar nisso”, declarou o senador.
A fala ocorreu durante um almoço promovido pelo grupo Voto, realizado no Palácio Tangará, na capital paulista. O posicionamento de Flávio faz referência à avaliação do governo brasileiro de que PCC e Comando Vermelho não se enquadram na definição legal de organizações terroristas, por não possuírem motivações políticas, ideológicas ou religiosas, critérios previstos na legislação brasileira.
A classificação das facções como grupos terroristas foi oficializada pelo governo dos Estados Unidos na última semana. A medida foi assinada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e passou a valer na sexta-feira (5).
O tema ganhou repercussão após a visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos no fim de maio, quando o senador se reuniu com o presidente Donald Trump. O parlamentar afirmou publicamente que defendeu junto ao governo americano a adoção da medida.
“Em uma viagem como pré-candidato, fiz mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus dezessete anos de mandato”, disse Flávio na ocasião.
A decisão do governo norte-americano abriu um novo capítulo no debate sobre segurança pública e relações internacionais, gerando reações divergentes entre integrantes da oposição e do governo federal. Enquanto aliados de Flávio Bolsonaro defendem a medida como um instrumento de combate ao crime organizado, integrantes do Planalto argumentam que a classificação representa uma interpretação incompatível com a legislação brasileira e pode configurar interferência em assuntos internos do país.