Animais foram monitorados em bairros socialmente vulneráveis da capital
Por Redação Alvoroço

Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) monitorou a presença de cães infectados por Trypanosoma cruzi, protozoário causador da Doença de Chagas, em Salvador.
A equipe utilizou os animais como sentinelas da circulação do parasita. Para isso, foram analisadas amostras de soro de 290 cães nos bairros de Alto do Cabrito, Marechal Rondon e Pau da Lima, considerados socialmente vulneráveis. O estudo foi publicado no periódico Acta Tropica.
A pesquisa revelou uma soroprevalência de 5,1% (9 cães) nos bairros de Alto do Cabrito e Marechal Rondon, contrastando com a soroprevalência de 0% em Pau da Lima, onde todos os 113 cães testados foram negativos.
Além disso, houve uma associação com a idade: todos os cães soropositivos eram animais mais velhos, com idade entre 5 e 15 anos (mediana de 8,5 anos), o que sugere uma exposição cumulativa ao longo do tempo.
O estudo fornece evidências de circulação silenciosa de T. cruzi em comunidades urbanas. Nesse sentido, os cães servem como sentinelas eficazes para identificar risco de transmissão em áreas socialmente vulneráveis, que apresentam saneamento inadequado e condições ambientais que favorecem a presença de vetores.
Apesar da identificação do protozoário, nenhum dos cães infectados apresentou sinais clínicos, o que enfatiza a natureza oculta da transmissão. Essas descobertas demonstram que cães domésticos que residem em áreas urbanas com vulnerabilidade social podem atuar como indicadores eficazes para mapear o perigo de circulação assintomática do parasita.
Os pesquisadores destacaram, no entanto, que devido ao reduzido número de espécimes soropositivos e à ausência de dados entomológicos ou parasitológicos, esses resultados devem ser encarados como preliminares e sinalizadores de contato com o parasita, e não como uma confirmação de transmissão ativa.