Por: Redação Alvoroço

O crescimento das apostas esportivas e dos jogos online no Brasil tem gerado impactos que ultrapassam o ambiente digital e chegam diretamente ao mercado de trabalho. Empresas de diversos setores relatam aumento de faltas injustificadas, queda de produtividade, pedidos frequentes de adiantamento salarial e casos de endividamento associados ao vício em apostas, condição conhecida como ludopatia.
Especialistas apontam que o problema tem se consolidado como uma questão de saúde pública. Dados recentes indicam que os afastamentos médicos relacionados à ludopatia cresceram significativamente, refletindo o avanço da dependência em jogos de azar e apostas online.
Entre os sinais mais observados pelas empresas estão a desatenção constante durante o expediente, dificuldades de concentração, queda no desempenho profissional e problemas financeiros recorrentes. Em alguns casos, trabalhadores solicitam antecipações salariais de forma frequente ou enfrentam dificuldades para cumprir compromissos financeiros após destinarem parte significativa da renda às apostas.
Representantes do setor empresarial também relatam situações em que funcionários faltam ao trabalho logo após receberem o salário, comportamento que estaria relacionado a perdas financeiras acumuladas em plataformas de apostas.
Além dos prejuízos individuais, o problema tem gerado desafios para os departamentos de recursos humanos. A dependência em jogos de azar pode resultar em conflitos no ambiente corporativo e até em processos disciplinares. Embora a legislação trabalhista preveja a possibilidade de demissão por justa causa em determinadas situações envolvendo jogos de azar e prejuízos à atividade profissional, especialistas alertam para a necessidade de cautela, já que a ludopatia é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno mental.
Diante desse cenário, muitas empresas têm optado por estratégias de acolhimento e prevenção. Campanhas educativas, cartilhas informativas e programas internos de conscientização estão sendo adotados para identificar sinais precoces do problema e orientar os trabalhadores sobre a busca por tratamento.
Na rede pública de saúde, pessoas que enfrentam dependência em apostas podem procurar atendimento por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). O Ministério da Saúde também disponibiliza suporte especializado por telemedicina em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, com acesso por meio do aplicativo Meu SUS Digital.
Especialistas destacam que o tratamento precoce é fundamental para evitar consequências mais graves, como o agravamento das dívidas, problemas familiares, transtornos emocionais e o comprometimento da vida profissional.