Em carta, Flávio Bolsonaro diz que houve “fraude” nas eleições e se declara “verdadeiro presidente eleito do Brasil”

Senador se autodenomina “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, acusa autoridades de fraude eleitoral e nega ter fugido do país; resultado que reelegeu Lula foi reconhecido pela Justiça Eleitoral.

Por: Redação Alvoroço

Foto: Joe Raedle/Getty Images

O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou, nesta quarta-feira (28), uma carta em que contesta o resultado da eleição presidencial e afirma ser “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O parlamentar está nos Estados Unidos após deixar o Brasil depois do segundo turno, realizado no domingo (25).

No documento, Flávio acusa autoridades brasileiras de fraude eleitoral e questiona decisões tomadas durante o processo de votação. “Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, afirma o senador.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reeleito presidente após o petista receber 64,2 milhões de votos no segundo turno, cerca de 4,5 milhões a mais que Flávio. O resultado foi reconhecido pela Justiça brasileira, por organismos internacionais e por integrantes da oposição, incluindo o PL, partido do senador.

Flávio questiona horário de votação

Na carta, o senador atribui ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a responsabilidade pelo aumento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno. Flávio menciona a diferença de mais de 10 milhões de votos conquistados pelo petista entre as duas etapas da eleição.

A afirmação, porém, não é sustentada pelos dados da votação. Embora Zanin tenha prorrogado o horário de funcionamento das seções eleitorais até as 19h, o TSE registrou apenas cerca de 34 mil votos após as 17h.

No domingo (25), as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro acionaram o TSE para solicitar a extensão do horário de votação.

Em outro trecho da carta, o senador critica a decisão que ampliou o período de votação e questiona a atuação das autoridades eleitorais.

“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível”, diz o texto.

Senador critica decisão de Moraes sobre passaporte

Flávio também relaciona sua saída do Brasil à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a apreensão de seu passaporte. Na avaliação do senador, a medida faria parte de um “plano previamente elaborado”.

Ao comentar a decisão, ele afirma que Moraes “muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime”.

O parlamentar nega ter fugido do país e apresenta a viagem aos Estados Unidos como uma forma de continuar sua atuação política fora do Brasil.

“Eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.”

Flávio diz que comandará oposição dos Estados Unidos

Na carta, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirma que pretende liderar a oposição brasileira diretamente dos Estados Unidos. Ele também se dirige a senadores, deputados e governadores que, segundo o parlamentar, ajudou a eleger.

“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direito o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirmou Flávio.

Ao final do documento, o senador agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela “coragem e senso de justiça e legalidade”. Ele também agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por recebê-lo no país.