Por: Redação Alvoroço

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou, nesta quinta-feira (23), a aplicação de uma nova rodada de tarifas sobre produtos importados de 60 países. A medida atinge nações que, segundo o governo norte-americano, não adotaram ações suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com uso de trabalho forçado.
As novas alíquotas variam entre 10% e 12,5%. A tarifa de 10% será aplicada aos países que, de acordo com o USTR, “se comprometeram a adotar e a aplicar efetivamente proibições à importação de [produtos que são fruto do] trabalho forçado”. Já os países considerados em situação de descumprimento dessas exigências, como o Brasil, estarão sujeitos à cobrança de 12,5%.
Em alguns casos, a nova sobretaxa será somada a tarifas já existentes. No caso brasileiro, por exemplo, determinados produtos poderão acumular a cobrança com a tarifa de 25% anunciada anteriormente em razão de investigações sobre práticas comerciais classificadas pelos Estados Unidos como desleais.
“O Representante Comercial determinou, de acordo com a orientação específica do Presidente, que a taxa tarifária a ser aplicada e o escopo das tarifas e isenções são apropriados para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas considerados passíveis de ação na investigação”, informou o órgão em documento oficial.
Outras 40 economias ficaram com tarifas de 12,5%, sendo:
- Argélia;
- Angola;
- Austrália;
- Bahamas;
- Bahrein;
- Chile;
- China;
- Colômbia;
- Costa Rica;
- República Dominicana;
- Egito;
- Guiana;
- Hong Kong;
- Iraque;
- Israel;
- Cazaquistão;
- Kuwait;
- Líbia;
- Marrocos;
- Nova Zelândia;
- Nicarágua;
- Nigéria;
- Noruega;
- Omã;
- Peru;
- Filipinas;
- Catar;
- Rússia;
- Arábia Saudita;
- Singapura;
- África do Sul;
- Tailândia;
- Turquia;
- Emirados Árabes Unidos;
- Uruguai;
- Venezuela;
- Vietnã;
- Japão;
- Coreia do Sul;
- Suíça.
Países terão tratamento diferenciado
O USTR definiu regras específicas para alguns parceiros comerciais. Japão, Coreia do Sul e Suíça terão a cobrança limitada ao teto de 12,5%, sem acumulação da nova tarifa com outras alíquotas, considerando o critério de nação mais favorecida.
Enquanto isso, 19 países ficarão com a alíquota mais baixa, de 10%:
- Argentina;
- Bangladesh;
- Camboja;
- Canadá;
- Equador;
- El Salvador;
- Guatemala;
- Honduras;
- Índia;
- Indonésia;
- Jordânia;
- Malásia;
- México;
- Paquistão;
- Sri Lanka;
- Reino Unido;
- Trinidad e Tobago;
- União Europeia;
- Taiwan.
Já União Europeia e Taiwan também terão um regime especial, mas com limite máximo de 10% sobre os produtos enquadrados na medida.
Produtos isentos
A decisão também prevê exceções para determinados itens, que não serão alcançados pela nova tributação. Entre eles estão:
- materiais informativos, doações e bagagens acompanhadas;
- produtos já submetidos às tarifas da Seção 232;
- matérias-primas consideradas essenciais para o abastecimento da indústria norte-americana;
- mercadorias cuja taxação possa provocar impactos econômicos relevantes nos Estados Unidos;
- produtos sem capacidade de produção suficiente em território americano;
- itens cuja isenção possa incentivar outros países a fortalecer o combate ao trabalho forçado;
- produtos para os quais a tarifa adicional não seja considerada eficaz para atingir os objetivos da investigação.
Na lista de isenções aparecem ainda produtos como petróleo, gás natural, fertilizantes e alimentos, incluindo carnes.
Cobrança começa nesta sexta-feira
As novas tarifas passam a valer à 1h01 desta sexta-feira (24), no horário de Brasília. Mercadorias que já estiverem em trânsito para os Estados Unidos poderão ingressar no país sem a cobrança adicional até a próxima terça-feira (28).
Em resposta à decisão, o governo brasileiro informou, por meio de nota, que rejeita a sobretaxa de 12,5% e anunciou que dará início, de forma imediata, aos procedimentos para acionar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.