Por: Redação Alvoroço

A influenciadora cearense Karine Felipe de Sousa, conhecida como Káh Felipe, morreu aos 37 anos na tarde de sexta-feira, 24 de julho de 2026, em Fortaleza (CE). A informação foi confirmada por familiares. Sua trajetória marcada pela luta contra doenças graves e pela forte presença nas redes sociais.
Káh Felipe passou 18 dias internada antes de morrer. Ela foi hospitalizada após sentir fortes dores e um inchaço severo na perna esquerda. Durante o período de internação, recebeu tratamento para pneumonia e enfrentou complicações relacionadas aos efeitos agressivos da quimioterapia.
Em maio de 2026, exames apontaram que um câncer de mama havia evoluído para metástase generalizada, atingindo ossos, fígado e pulmão. Diante do agravamento do quadro, ela passou a se identificar como uma “paciente paliativa em fase terminal” e fazia uso frequente de morfina para controle da dor, além de acompanhamento no Instituto do Câncer do Ceará (ICC).
Segundo relatos do marido, a equipe médica chegou a cogitar a intubação cerca de 11 horas antes da morte, mas o procedimento foi descartado por representar, na avaliação dos profissionais, mais sofrimento do que benefício.
A história de vida de Karine também foi marcada pelo Xeroderma Pigmentoso, doença genética rara diagnosticada quando ela tinha 3 anos. A condição impede a reparação dos danos causados pela radiação ultravioleta no DNA celular e exige cuidados rigorosos com a exposição ao sol. Ao longo da vida, ela passou por mais de 250 cirurgias para retirada de tumores agressivos e sofreu sequelas importantes, como a perda de um dos olhos e de partes do nariz, do lábio e de uma das orelhas.
Casada com Edmilson Alcântara, Káh Felipe viveu uma história de amor que ganhou repercussão nacional em 2019, quando uma campanha na internet mobilizou apoio para que o casal oficializasse a união e reformasse a casa onde morava. Ela era mãe de quatro filhos.
Duas semanas antes de morrer, a influenciadora publicou nas redes sociais uma mensagem comovente sobre saudade e distância da filha caçula, Zaya, de 3 anos. Após a confirmação da morte, a família divulgou uma nota de despedida destacando sua força e fé.
O velório aconteceu no Memorial Fortaleza, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza.
O que é Xeroderma Pigmentoso?
O Xeroderma Pigmentoso (XP) é uma doença genética rara, de caráter hereditário e que não é contagiosa. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a condição acomete homens e mulheres e tem como principal característica a elevada sensibilidade à radiação ultravioleta (UV), presente na luz solar.
Essa sensibilidade afeta principalmente as regiões do corpo mais expostas ao sol, como a pele e os olhos. Segundo a entidade, “Afeta, portanto, as áreas do corpo mais expostas ao sol como a pele e os olhos. Em pessoas com esse problema, após exposição à luz solar surge um ‘defeito’ no reparo do DNA, com possibilidade da pele formar câncer cutâneo”, explica em seu site.
A SBD informa ainda que, embora seja incomum, alguns pacientes também podem desenvolver alterações neurológicas. “As chances de desenvolver XP são, segundo estatísticas norte-americanas e europeias, de 1 para 1 milhão. Portanto, uma afecção rara. Como é uma patologia hereditária, há transmissão genética para familiares”, destacou.
Por se tratar de uma doença genética, o XP não é transmitido pelo contato entre pessoas, nem por secreções ou aerossóis, como espirros. Dessa forma, os portadores podem conviver normalmente em ambientes coletivos, como escolas, creches e outros espaços públicos, desde que adotem rigorosas medidas de proteção contra a exposição solar.
O tratamento inclui a retirada de tumores que possam surgir e o uso de terapias tópicas com medicamentos específicos, conforme orientação médica.
Além dos cuidados clínicos, a SBD ressalta a importância do acolhimento e da inclusão social. “No aspecto emocional, é importante que portadores da doença tenham amigos e sejam compreendidos, pois não devem se abster do convívio social. Com as devidas medidas de fotoproteção e prevenção, podem e devem participar de todas as atividades da comunidade da qual fazem parte”, destacou a entidade.