PF aponta Flávio Bolsonaro como usuário master de conta ligada a jato de Vorcaro

Relatório cita e-mails sobre acesso bancário a uma empresa que detinha parte de aeronave usada pelo senador; Flávio e o advogado Willer Tomaz negam ter dividido conta.

Por: Redação Alvoroço

Foto: Niyi Fote/Thenews2/Agência O Globo

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecia cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à Alcazar Holdings, empresa que detinha um terço de um jato executivo associado ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14) pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, com base em um relatório da Polícia Federal (PF) produzido durante a investigação sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Flávio e o advogado Willer Tomaz negam ter dividido uma conta bancária e afirmam que a informação é falsa.

A conta, mantida no Santander, estava em nome da Alcazar Holdings, empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, e cujo único sócio é Tomaz. Segundo os documentos citados pela reportagem, o nome do senador permaneceu vinculado ao perfil bancário até maio de 2025.

A empresa detinha 33,33% da Fraction 024, proprietária de um jato Embraer Legacy 650, de matrícula PP-NLR. As outras participações pertenciam a Laerte Cosentino, dono da Totvs, e à Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio entre setembro de 2021 e setembro de 2025.

E-mails foram recuperados pela Polícia Federal

A vinculação do nome de Flávio à conta aparece em uma troca de e-mails recuperada pela PF no iCloud de Willer Tomaz.

Em 22 de maio de 2025, Fayla Menezes, secretária do advogado, solicitou ao Santander a retirada de duas contas do perfil master da Alcazar Holdings: uma identificada com o nome de Flávio Bolsonaro e outra descrita como “conta PF Willer”. Segundo a reportagem, o banco confirmou a desvinculação pouco mais de duas horas depois.

No relatório, os investigadores afirmam que o perfil de usuário master concedia “nível elevado de acesso e gerenciamento” à conta. Para a PF, essa condição “sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”.

Os investigadores consideram que a possível ligação com a Alcazar pode ajudar a esclarecer eventuais relações indiretas do senador com a empresa proprietária da aeronave. O registro bancário, por si só, não comprova participação societária nem a prática de irregularidades.

Senador viajou em jato ligado a Vorcaro

Em janeiro de 2025, Flávio viajou com Willer Tomaz em um voo de ida e volta entre Brasília e Fort Lauderdale, na Flórida, a bordo do mesmo jato. A viagem foi noticiada pela revista Piauí em setembro daquele ano.

Na ocasião, o senador afirmou que havia viajado como convidado do amigo. Tomaz, por sua vez, declarou não saber que a Prime You era uma das proprietárias da aeronave nem que Vorcaro tinha participação na empresa.

O avião também transportou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, em agosto de 2025.

Relatório cita viagens pela Europa

O documento da PF também aponta que Tomaz teria utilizado outra empresa, a Cathedral Holding, para adquirir passagens aéreas para Flávio e familiares.

Entre os registros encontrados no celular do advogado estão reservas de voos em jatos executivos Bombardier Challenger 350. Um deles, realizado em 11 de abril de 2025, ligou Lisboa, em Portugal, a Nice, na França, com Flávio, Tomaz e suas respectivas esposas.

Outra viagem, em 23 de maio daquele ano, partiu de Cascais, em Portugal, com destino a Nice. A lista de passageiros incluía Flávio, a mulher dele, Fernanda Bolsonaro, as filhas do senador, Tomaz, a esposa do advogado, Flávia Corrêa, e outros familiares. De acordo com a reportagem, o destino final era Mônaco.

Em março de 2025, Flávio e Tomaz também participaram de um safári na África do Sul com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que é citado na investigação sobre irregularidades no INSS.

PF identificou conversas em aplicativo criptografado

Os investigadores também encontraram registros de comunicação entre Flávio e Tomaz pelo Confide, aplicativo que permite o envio de mensagens criptografadas com recurso de autodestruição e bloqueio de capturas de tela.

O número de telefone do senador aparecia entre os contatos favoritos do advogado, conforme informações divulgadas pela imprensa.

As informações fazem parte de documentos analisados no contexto da investigação sobre desvios no INSS. Flávio e Tomaz negam ter mantido uma conta compartilhada e contestam as informações divulgadas sobre a relação financeira entre eles.