Silas Malafaia chama filhos de Bolsonaro de “jumentos” após carta de Flávio sobre eleições

Pastor criticou mensagem em que senador se declarou inicialmente “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e questionou a atuação de aliados; Flávio retirou a expressão de uma versão posterior do documento.

Por: Redação Alvoroço

Foto: JEFFERSON AGUIAR/PERA PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O pastor Silas Malafaia criticou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma mensagem enviada a aliados pelo WhatsApp na quarta-feira (28). A reação ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial, divulgar uma carta na qual contestou o resultado das urnas e se apresentou inicialmente como o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil.

De acordo com informações publicadas pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, Malafaia usou termos ofensivos para se referir aos filhos do ex-presidente e questionou as orientações recebidas por eles.

“Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu o pastor, segundo a publicação.

Na mesma conversa, Malafaia também fez referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à situação de Flávio no país.

“[Donald] Trump já tirou o apoio. Deixei ele vir para a América, mas não me meto nessa questão. Um bando de amadores babacas.”

Pastor já havia declarado apoio a Flávio

Malafaia foi um dos apoiadores da candidatura de Flávio Bolsonaro. Em agosto, durante o primeiro comício do senador em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o pastor não participou presencialmente, mas enviou uma mensagem de apoio que foi exibida no evento.

“Não posso estar aí, mas quero deixar claro meu apoio irrestrito para Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas”, afirmou na ocasião. Ruas disputou o governo do Rio de Janeiro e foi eleito, conforme as informações fornecidas.

O pastor também apoiou Jair Bolsonaro, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Flávio publicou carta e depois alterou o texto

Na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro divulgou uma carta na qual confirmou ter deixado o Brasil com a família e contestou o resultado da eleição presidencial. Na primeira versão, o senador se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e alegou que houve fraude eleitoral, sem apresentar provas que sustentassem a acusação.

O parlamentar também acusou autoridades brasileiras de perseguição política e afirmou que pretende organizar a oposição a partir dos Estados Unidos. Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado no domingo (25).

Na mensagem, o senador questionou ainda a decisão que ampliou até as 19h o horário de votação em todo o país. Ele alegou que a medida teria alterado as regras durante o processo eleitoral e acusou o STF de ultrapassar as atribuições da Justiça Eleitoral.

A carta passou por alterações pouco depois da publicação. Na primeira versão, o documento trazia a expressão “Estados Unidos do Brazil”, denominação antiga do país, posteriormente substituída por “República Federativa do Brasil”. O nome oficial foi alterado em 1967.

Flávio também retirou a declaração de que seria o “verdadeiro presidente eleito” e passou a se definir como “líder do Brasil”.

Senador diz temer perseguição política

No documento, Flávio agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, a Donald Trump e à população norte-americana. Ele afirmou ter encontrado nos Estados Unidos um ambiente de liberdade e segurança jurídica.

O senador disse que não pretendia deixar o Brasil, mas alegou temer o que considera perseguição política. Segundo a carta, a determinação para entregar os passaportes faria parte de uma sequência de medidas que, na avaliação dele, poderia resultar em restrições mais severas, como prisão domiciliar e condenação.

Flávio afirmou que não há mandado de prisão contra ele e negou ter cometido crimes. Também declarou que pretende continuar atuando politicamente fora do país e assumir um papel de destaque na oposição ao governo eleito.

As alegações de fraude eleitoral e perseguição política foram apresentadas pelo senador na carta. O texto não apresenta provas que comprovem a suposta fraude.