Por: Redação Alvoroço

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem sinalizado a parlamentares que poderia autorizar o início de um processo de impeachment contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), caso a pressão para abrir um processo contra Alexandre de Moraes se torne insustentável.
A possibilidade de autorizar os dois processos, em uma espécie de impeachment cruzado, teria como objetivo reduzir a tensão entre o Senado e o Supremo. A informação foi divulgada pela jornalista Ana Flor, da GloboNews.
A estratégia ocorre em uma semana marcada pelo aumento do atrito entre Moraes e Mendonça, ministros que passaram a protagonizar decisões e manifestações relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master.
Pedido de investigação contra Mendonça
A possibilidade ganhou força após Moraes encaminhar, na noite de quinta-feira (3), ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido de investigação contra Mendonça.
A solicitação foi apresentada no âmbito do inquérito das Fake News. Na decisão, Moraes apontou supostos indícios de crime de responsabilidade atribuídos a Mendonça e mencionou também que Alcolumbre teria sido alvo de investigação.
As referências foram interpretadas no Senado como uma possível abertura para que Alcolumbre autorizasse o avanço de um pedido de impeachment contra Moraes.
Fachin assume análise dos casos
Nesta sexta-feira (4), porém, Fachin determinou que o pedido de investigação apresentado por Moraes fosse retirado do âmbito do inquérito das Fake News.
O presidente do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e André Mendonça apresentem manifestação sobre o pedido no prazo de cinco dias. Fachin também transferiu os casos para a Presidência do Supremo.
Com a decisão, os dois procedimentos relacionados ao conflito entre Moraes e Mendonça passam a ser conduzidos por Fachin.
A mudança ocorre em meio à crise institucional envolvendo os ministros e às discussões no Senado sobre os pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo.