Eduardo Bolsonaro teve papel direto na gestão financeira do filme “Dark Horse”, diz Intercept Brasil

Reportagem aponta que o deputado cassado assinou contrato como produtor-executivo e participou de articulações para captação de recursos do longa sobre Jair Bolsonaro

Por: Redação Alvoroço

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Novos documentos revelam mensagens que apontam o envolvimento direto do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro na produção e na gestão financeira do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem do Intercept Brasil, um contrato assinado digitalmente por Eduardo em janeiro de 2024 o coloca, ao lado do deputado federal Mario Frias (PL-SP), como produtor-executivo do projeto audiovisual. O documento atribui aos dois responsabilidades ligadas ao desenvolvimento do filme, captação de investidores, estratégias de financiamento e gestão de orçamento.

A reportagem afirma que os registros contradizem declarações recentes de Eduardo Bolsonaro nas redes sociais, nas quais ele havia afirmado que apenas cedeu direitos de imagem para a produção e não exercia funções de gestão no projeto.

De acordo com o contrato obtido pelo portal, Eduardo, Mario Frias e a produtora americana GoUp Entertainment atuariam em conjunto em decisões relacionadas à obtenção de recursos financeiros, incentivos fiscais, patrocínios e aplicação do orçamento do filme.

Mensagens atribuídas a Eduardo Bolsonaro também indicariam participação direta em discussões sobre envio de recursos aos Estados Unidos. Em uma conversa encaminhada ao banqueiro Daniel Vorcaro, Eduardo teria discutido formas de transferir valores para viabilizar o financiamento da produção.

Foto: Intercept Brasil

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo”, escreveu Eduardo em uma das mensagens reproduzidas pela reportagem. Em outro trecho, ele afirma: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”.

O Intercept também afirma ter obtido uma minuta de aditivo contratual que qualificaria Eduardo Bolsonaro como financiador do projeto, autorizando o uso de recursos investidos por ele no filme. O portal ressalta, porém, que não há confirmação de que esse documento tenha sido oficialmente assinado.

A produção “Dark Horse” entrou no centro das investigações após a divulgação de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo o portal, o banqueiro teria prometido US$ 24 milhões para financiar o longa, dos quais cerca de US$ 10,6 milhões teriam sido efetivamente pagos entre fevereiro e maio de 2025.

Ainda segundo a reportagem, parte dos recursos teria sido direcionada para fundos ligados a aliados de Eduardo Bolsonaro, incluindo Paulo Calixto, advogado responsável por seu processo migratório nos Estados Unidos.

O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta sexta-feira, o ministro Flávio Dino determinou a abertura de uma apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades no uso de emendas parlamentares destinadas a projetos culturais ligados ao filme.

A defesa de Mario Frias afirmou que Eduardo “não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse” e negou que ele tenha recebido recursos do fundo ligado ao projeto.

Até então, Eduardo Bolsonaro afirmava não ter participação na administração financeira do filme. Nas redes sociais, o deputado disse que atuou apenas no início do projeto, ajudando na contratação de um diretor em Hollywood, e que se afastou da produção após a entrada de investidores. Ele também declarou que os valores aplicados foram recursos pessoais, posteriormente reembolsados, e negou ter recebido dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.