“Auge do desespeFlávio Bolsonaro critica reajuste do Bolsa Família e diz que medida é ilegal

Senador questionou aumento de 15,04% anunciado pelo governo Lula e afirmou, sem apresentar decisão judicial, que reajuste seria uma tentativa de influenciar eleitores

Por: Redação Alvoroço

Foto: Reprodução

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou, nesta quinta-feira (17), o reajuste de 15,04% anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Bolsa Família. Durante um comício em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, o senador afirmou que a medida seria ilegal por ter sido adotada a 17 dias do primeiro turno das eleições.

“Não caiam em mais uma promessa da campanha, porque Lula age no desespero, acabou de fazer um decreto mesmo sabendo que é ilegal e que é proibido durante as eleições”, declarou.

Flávio também afirmou que o governo não havia promovido a correção dos valores ao longo dos quatro anos de gestão e questionou a medida por ocorrer durante o período eleitoral.

“Ele acha que vai enganar alguém com o reajuste do Bolsa Família. Ele sabe que isso não pode. Mas é o desespero, porque sabe que já perdeu”, disse fazendo menção ao petista.

Novo valor do Bolsa Família

O decreto assinado por Lula foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União nesta quinta-feira. A medida estabelece reajuste de 15,04% nos valores do programa a partir de outubro.

Com a atualização, o benefício mínimo por família passará de R$ 600 para R$ 691. O valor médio, segundo o governo, deverá chegar a R$ 777.

De acordo com o governo, o percentual corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. A justificativa apresentada é recompor o poder de compra das famílias beneficiárias.

O governo também afirma que a atualização está prevista na legislação do Bolsa Família e não altera as regras para entrada no programa.

Medida ocorre durante o calendário eleitoral

Os novos valores começarão a ser pagos em 19 de outubro, entre o primeiro turno e um eventual segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

A proximidade do reajuste com a votação motivou críticas de Flávio Bolsonaro e também questionamentos apresentados à Justiça Eleitoral.

Comparação com o Auxílio Brasil em 2022

A discussão sobre mudanças em programas de transferência de renda em anos eleitorais também envolve uma medida adotada durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

Em 2022, ano da eleição presidencial, o então Auxílio Brasil teve o benefício mínimo ampliado de R$ 400 para R$ 600.

No caso do reajuste anunciado agora, o governo Lula apresenta a medida como uma correção pela inflação acumulada, sem mudança nas regras de acesso ao Bolsa Família.