O pleito entrou para a história por marcar a primeira vez, em quatro décadas, que a eleição presidencial portuguesa foi decidida em segundo turno
Por: Lucas Gravatá

António José Seguro, de 63 anos, foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8), ao vencer o segundo turno das eleições presidenciais com 66,7% dos votos válidos contra 33,3% do candidato de extrema direita André Ventura.
O resultado do pleito marca o retorno da esquerda à presidência de Portugal após 20 anos. Seguro disputou as eleições pelo Partido Socialista, apoiado por candidatos de partidos do centro no 2º turno. A posse do novo chefe de Estado está marcada para o dia 9 de março.
Durante a campanha, Seguro adotou o discurso de estabilidade e moderação, apresentando-se ao eleitorado como a “opção segura” para liderar o país em um momento de incertezas políticas e climáticas.
O pleito entrou para a história por marcar a primeira vez, em quatro décadas, que a eleição presidencial portuguesa foi decidida em segundo turno. O cenário reflete a fragmentação do quadro político e o crescimento de forças com projetos distintos para o futuro do país.
A votação ocorreu em meio a fortes tempestades que atingiram Portugal, provocando alagamentos e transtornos principalmente nas regiões sul e central. Por causa das inundações, três câmaras municipais precisaram adiar a votação por uma semana, medida que afetou cerca de 37 mil eleitores, o equivalente a 0,3% do eleitorado nacional.
Embora a presidência em Portugal tenha, em grande parte, um caráter cerimonial, o cargo possui papel estratégico em períodos de crise institucional. O presidente da República tem prerrogativas como dissolver o Parlamento, destituir o governo, convocar eleições antecipadas e vetar leis aprovadas pelo Legislativo, o que confere peso político significativo ao mandato iniciado por Seguro.