Congresso impõe nova derrota ao governo e derruba veto de Lula ao PL da dosimetria

Texto, que altera regras de cálculo de penas, será promulgado sem trechos sobre progressão de regime retirados antes da votação, beneficiando condenados do 8 de janeiro e o ex-presidente Jair Bolsonaro

Por: Redação Alvoroço

Foto: Divulgação / Câmara dos Deputados

O Congresso Nacional do Brasil derrubou, nesta quinta-feira, o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei da dosimetria penal, impondo mais uma derrota ao governo no Legislativo.

No Senado, a rejeição ao veto foi aprovada por 49 votos a 24. Antes, na Câmara dos Deputados, o placar foi de 318 votos pela derrubada, contra 144, além de cinco abstenções.

O projeto trata de mudanças nos critérios para definição e cumprimento de penas. A proposta ganhou destaque por impactar condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e também por possíveis reflexos em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Antes da votação, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu retirar da análise trechos relacionados à progressão de regime. Segundo ele, a medida buscou evitar conflitos com legislações recentes e impedir eventual flexibilização de penas em crimes como feminicídio, milícia privada e crimes hediondos.

Com isso, esses dispositivos não foram votados. O restante do texto foi mantido com a derrubada do veto e seguirá agora para promulgação, tornando-se lei sem os trechos considerados prejudicados.

A proposta havia sido aprovada pelo Congresso no ano passado, mas foi integralmente vetada pelo Palácio do Planalto. Na justificativa, o governo argumentou que a medida poderia reduzir a resposta penal a crimes contra o Estado Democrático de Direito e representar retrocesso institucional.

Entre as mudanças previstas, o projeto altera a forma de aplicação das penas em casos de concurso de crimes. Pela nova regra, passa a prevalecer o chamado concurso formal, no qual é aplicada apenas a pena mais grave, sem a soma das condenações. Também há ajustes nos critérios para progressão de regime, embora parte dessas mudanças tenha sido retirada antes da votação.

O relator na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), defendeu o texto sob o argumento de que ele traz maior segurança jurídica ao sistema penal.

Com a promulgação, as novas regras passam a valer e podem impactar não apenas casos ligados aos atos de 8 de janeiro, mas também outros processos criminais em andamento no país.