Valor de US$ 24 milhões associado ao longa “Dark Horse” supera orçamento de filmes de destaque lançados nos últimos anos
Por: Redação Alvoroço

A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria negociado um aporte de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação em 2025 — com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), repercutiu no meio político sobre o valor da produção para um filme biográfico.
Segundo reportagens publicadas pelo Intercept Brasil e repercutidas por veículos nacionais e internacionais, o projeto cinematográfico teria recebido ao menos US$ 10,6 milhões em transferências entre fevereiro e maio de 2025.
O valor chamou atenção por ser superior ao orçamento de diversos filmes brasileiros e internacionais que marcaram a história do cinema — incluindo produções vencedoras do Oscar, sucessos de crítica e longas independentes que se tornaram fenômenos culturais.
Veja abaixo sete filmes conhecidos que custaram menos do que os US$ 24 milhões atribuídos ao projeto “Dark Horse”:
Anora
- Lançamento: 2024
- Diretor: Sean Baker
- Orçamento: cerca de US$ 6 milhões
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o longa acompanha a história de uma jovem dançarina de Nova York envolvida com o filho de um oligarca russo. O filme virou um dos principais sucessos do cinema independente recente.
A Substância
- Lançamento: 2024
- Diretora: Coralie Fargeat
- Orçamento: cerca de US$ 17 milhões
Misturando terror corporal e crítica à indústria do entretenimento, o filme estrelado por Demi Moore e Margaret Qualley se tornou um dos títulos mais comentados de 2024.
Moonlight
- Lançamento: 2016
- Diretor: Barry Jenkins
- Orçamento: cerca de US$ 4 milhões
Embora não seja tão recente quanto os demais, o vencedor do Oscar de Melhor Filme segue sendo referência quando o assunto é sucesso artístico com baixo orçamento. O longa arrecadou dezenas de milhões de dólares e virou marco do cinema contemporâneo.
Amores Materialistas
- Lançamento: 2025
- Diretora: Celine Song
- Orçamento: U$$ 20 milhões
Materialists acompanha uma casamenteira de Nova York dividida entre um relacionamento estável com um empresário milionário e a reconexão com um ex-namorado. O longa mistura romance, dilemas emocionais e críticas às relações modernas. O filme é dirigido por Celine Song e estrelado por Dakota Johnson, Chris Evans e Pedro Pascal.
Conclave
- Lançamento: 2024
- Diretor: Edward Berger
- Orçamento: U$$ 20 milhões
Conclave mostra os bastidores secretos da eleição de um novo papa no Vaticano após a morte do pontífice. Enquanto conduz o conclave, um cardeal descobre segredos que podem mudar o rumo da escolha papal. O thriller político-religioso é estrelado por Ralph Fiennes e dirigido por Edward Berger.
Ainda Estou Aqui
- Lançamento: 2024
- Diretor: Walter Salles
- Orçamento: U$$ 9 milhões
O longa é estrelado por Fernanda Torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro. A história acompanha a trajetória de Eunice Paiva durante a ditadura militar, após o desaparecimento de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva. “Ainda Estou Aqui” se transformou em um dos maiores sucessos recentes do cinema brasileiro. O longa ultrapassou milhões de espectadores e alcançou forte bilheteria no Brasil e no exterior.
A produção também ganhou projeção internacional após premiações e indicações importantes, consolidando o retorno de Walter Salles ao cinema de ficção depois de mais de uma década sem lançar um longa do gênero.
O Agente Secreto
- Lançamento: 2025
- Diretor: Kleber Mendonça Filho
- Orçamento: U$$ 5,5 milhões
A trama se passa durante a ditadura militar brasileira e acompanha um especialista em tecnologia que acaba envolvido em uma rede de espionagem e perseguição política. O filme mistura suspense, drama e crítica histórica. “O Agente Secreto” ganhou destaque internacional após ser selecionado para importantes festivais de cinema e passou a figurar entre os filmes brasileiros mais comentados de 2025.
Em nota, o parlamentar afirmou que o contato com Vorcaro ocorreu em busca de “patrocínio privado” para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e negou qualquer envolvimento com recursos públicos ou favorecimentos.
“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos”, escreveu o senador no início da nota.
Segundo Flávio, a negociação envolvia exclusivamente o financiamento da produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do pai dele.
“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou.
O senador também declarou que conheceu Daniel Vorcaro apenas em dezembro de 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e alegou que, naquele momento, ainda não existiam acusações públicas contra o empresário.
“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, disse.
Na nota, Flávio Bolsonaro afirmou ainda que retomou contato com Vorcaro após atrasos em parcelas de patrocínio para conclusão do longa-metragem. O parlamentar negou ter intermediado negócios com o governo ou recebido qualquer tipo de vantagem financeira.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, declarou.
O senador também criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a relação entre integrantes da atual gestão e o banqueiro seria diferente da relação mantida por ele com Vorcaro.
“Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ”, concluiu.