Por: Redação Alvoroço

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato do PL à Presidência da República em 2026, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem novas tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita nesta terça-feira (2), por meio de um vídeo publicado nas redes sociais.
Na gravação, Flávio afirmou que a proposta de taxação apresentada pelo governo norte-americano seria consequência da postura adotada pelo Palácio do Planalto nas relações com os Estados Unidos. Segundo ele, a medida estaria relacionada a divergências diplomáticas e econômicas entre os dois países.
“A realidade é que essa tarifa é do Lula. Pelo seu tom agressivo com os Estados Unidos, seu discurso antiamericano, por defender que o dólar deixe de ser a moeda padrão nas relações internacionais”, afirmou o senador.
O parlamentar também informou que encaminhou uma carta ao governo do presidente Donald Trump pedindo que as tarifas sugeridas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) não sejam implementadas.
Durante o pronunciamento, Flávio voltou a criticar a condução do governo federal e disse que o presidente brasileiro não teria cumprido compromissos assumidos em reuniões com autoridades americanas.
“Ninguém mais acredita no Lula. Ele faz uma reunião com Trump, faz os compromissos, e não os cumpre. Foi assim em relação a apertar o cerco contra o PCC e o CV”, declarou.
A fala ocorre poucos dias após o governo dos Estados Unidos anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão foi elogiada por lideranças da oposição e recebeu críticas de integrantes do governo brasileiro.
Flávio Bolsonaro também respondeu às declarações feitas por Lula durante agenda pública em Catalão, no interior de Goiás. Sem citar detalhes, o senador afirmou que o presidente estaria sob pressão política e evitou elevar o tom do confronto.
“Eu sei que você está nervoso, porque sabe que seu governo tem prazo para acabar, agora, em dezembro de 2026. Você sabe que vai ser o fim do ciclo do PT, de destruição do Brasil”, concluiu.
Carta enviada aos Estados Unidos
Após divulgar o vídeo, Flávio tornou público um ofício encaminhado ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
No documento, redigido em inglês, o senador manifesta preocupação com os possíveis impactos econômicos das novas tarifas sobre produtos brasileiros. Ele cita o cenário fiscal do país, destaca o nível de endividamento do setor público e privado e argumenta que a adoção das taxas poderá trazer prejuízos para empresas e consumidores.
Ao final da carta, o parlamentar solicita que o governo americano reavalie a recomendação do USTR e suspenda a aplicação das tarifas propostas contra o Brasil.
Íntegra da carta
Veja abaixo a tradução da carta de Flávio Bolsonaro na íntegra:
Prezado Secretário Rubio,
Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.
O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes. O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente — quase metade da população adulta —, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais — equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.
Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.
Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.
Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.