Por: Redação Alvoroço

O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, pretende enviar ao Brasil dois integrantes do Departamento de Estado para discutir questões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro. A informação foi publicada neste sábado (25) pelo jornal The Washington Post, que afirma ter confirmado a iniciativa com quatro autoridades brasileiras e americanas.
De acordo com a reportagem, a delegação deverá ser formada por Riley M. Barnes, secretário-adjunto, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto. Ainda não há confirmação sobre quais autoridades brasileiras serão procuradas durante a visita, prevista para os próximos dias, em Brasília.
Segundo o jornal, integrantes da diplomacia brasileira foram informados recentemente sobre a missão e classificam a iniciativa como uma “manobra” do governo norte-americano. Ainda conforme a publicação, interlocutores do governo avaliam medidas para impedir a entrada da delegação no país. Um funcionário ouvido pelo veículo afirmou que o Brasil adotará ações para “proteger o sistema eleitoral”.
A avaliação do governo brasileiro, segundo o Washington Post, é que a visita teria como objetivo reunir representantes e críticos do modelo eleitoral brasileiro para elaborar um relatório que, posteriormente, serviria de base para questionamentos sobre a credibilidade do sistema de votação.
Em resposta ao jornal, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que uma delegação da gestão Trump viajará ao Brasil na próxima semana, mas não detalhou qual será a finalidade da missão.
A reportagem afirma ainda que a iniciativa amplia as tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, em meio a divergências envolvendo temas como liberdade de expressão e o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
O Washington Post também informa que o governo Trump tem buscado ampliar a atuação política de sua diplomacia para promover, em outros países, pautas alinhadas à orientação ideológica da atual administração.
A publicação relembra ainda que Bolsonaro tentou envolver as Forças Armadas em discussões sobre uma suposta ruptura democrática durante o processo eleitoral. Conforme uma fonte ouvida pelo jornal, diferentes análises de inteligência produzidas na época concluíram que “não havia credibilidade nas acusações contra o sistema eleitoral brasileiro”.
Por fim, a reportagem destaca que Darren Beattie, indicado por Trump para integrar o Departamento de Estado, tentou visitar Jair Bolsonaro após a condenação do ex-presidente, mas teve o visto revogado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.