Presidente afirmou que seus advogados protocolariam pedido no TSE para liberar informações pessoais e de familiares. Durante agenda em São Luís, Lula também cobrou que o senador e seus parentes adotem a mesma medida.
Por: Redação Alvoroço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, apresentou nesta terça-feira (20) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento em que autoriza a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares. A liberação, no entanto, está condicionada à adoção da mesma medida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial.
Entre os familiares citados no documento estão a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, e o filho mais velho do presidente, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha.
A autorização abrange informações referentes aos últimos oito anos e prevê a “ampla divulgação dos respectivos dados à população brasileira”.
O documento também estabelece que a iniciativa depende de uma autorização equivalente por parte de Flávio Bolsonaro. Lula defende ainda que a medida inclua os familiares do senador, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
Lula voltou a desafiar adversário durante agenda no Maranhão
Mais cedo, durante um compromisso de campanha em São Luís, no Maranhão, Lula voltou a defender a divulgação das informações e questionou se Flávio Bolsonaro estaria disposto a fazer o mesmo.
“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é que é ladrão nesse país, quem é que é corrupto. E eu quero ver se ele [Flávio Bolsonaro] tem coragem de abrir o sigilo bancário dele e o sigilo telefônico dele”, disse o presidente.
A proposta havia sido anunciada inicialmente pelo petista durante o debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, no domingo (18). Desde então, o tema passou a integrar a estratégia de campanha de Lula para pressionar o adversário a adotar uma postura semelhante em relação à transparência de informações financeiras e fiscais.
A expectativa é que o presidente volte a abordar o assunto no debate marcado para sexta-feira (23), promovido pela TV Globo.
Disputa presidencial tem cenário acirrado
A iniciativa ocorre em meio à disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais, marcada por um cenário competitivo nas pesquisas de intenção de voto.
Ao condicionar a divulgação de seus próprios dados à decisão de Flávio Bolsonaro, Lula busca transferir ao adversário a pressão política em torno do tema. A eventual liberação dos sigilos, contudo, depende dos procedimentos legais aplicáveis e do cumprimento das condições estabelecidas no documento apresentado ao TSE.
Até o momento, a iniciativa anunciada pelo presidente não significa que os dados já tenham sido divulgados publicamente. A condição estabelecida por Lula também não equivale a uma autorização concedida por Flávio Bolsonaro ou pelos demais familiares mencionados.