OMS diz que surto de Ebola começou “há alguns meses” e classifica como emergência internacional de saúde pública

Organização aponta mais de 600 casos suspeitos e alerta para rápida disseminação da cepa Bundibugyo, considerada altamente letal

Por: Redação Alvoroço

Foto: AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o surto de Ebola registrado na República Democrática do Congo e em Uganda pode ter começado “há alguns meses”. Segundo a entidade, as investigações buscam identificar exatamente quando e onde ocorreu o início da transmissão do vírus.

As autoridades congolesas apontam que uma morte suspeita por Ebola foi registrada em 20 de abril, enquanto um possível evento de superpropagação teria acontecido em 5 de maio.

De acordo com a OMS, equipes de investigação foram enviadas à região em 12 de maio, após o avanço dos casos suspeitos. “Acreditamos que tenha começado provavelmente há alguns meses, mas as investigações estão em andamento e nossa prioridade é realmente interromper a cadeia de transmissão, implementando o rastreamento de contatos, isolando e cuidando de todos os casos suspeitos e confirmados”, afirmou a oficial técnica da organização, Anaïs Legand.

Segundo a organização, o atual surto de Ebola registrado na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda já soma cerca de 600 casos suspeitos e 139 mortes sob investigação. A entidade informa que os números ainda podem aumentar, já que o vírus circulou por semanas antes de ser identificado oficialmente pelas autoridades sanitárias.

Em reunião realizada nesta terça-feira (19), em Genebra, o Comitê de Emergência da OMS concluiu que o avanço da doença configura uma emergência de saúde pública de importância internacional. Apesar do alerta máximo, a organização afirmou que o cenário ainda não é considerado uma pandemia.

“A OMS avalia o risco da epidemia como alto em nível nacional e regional e baixo em nível global”, declarou o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Tedros afirmou ainda que decidiu decretar a emergência antes mesmo da conclusão da consulta formal com especialistas, medida considerada incomum pela própria organização. Segundo ele, a urgência da situação exigiu uma resposta imediata.

“Nossa prioridade absoluta agora é identificar todas as cadeias de transmissão existentes… isso nos permitirá realmente definir a escala do surto e sermos capazes de fornecer cuidados”, afirmou Chikwe Ihekweazu, diretor de emergências da OMS.

O avanço da doença preocupa especialistas porque o vírus conseguiu se espalhar sem ser detectado em uma região densamente povoada e marcada por conflitos armados frequentes. A área já havia enfrentado entre 2018 e 2020 um dos surtos mais graves da história recente do Ebola, causado pela cepa Zaire, que deixou quase 2,3 mil mortos.

Desta vez, o foco é a cepa Bundibugyo, uma variante rara do vírus para a qual ainda não há vacina específica. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados.

De acordo com a OMS, essa variante apresenta taxa média de mortalidade próxima de 40%, o que aumenta a preocupação das autoridades de saúde internacionais diante da possibilidade de expansão da doença na região africana.