Prefeitura estuda ampliar motofaixas para avenidas ACM e Juracy Magalhães em Salvador

Um ano após implantação na Bonocô, corredor exclusivo para motociclistas não registrou mortes e pode chegar a novos pontos da capital

Por: Redação Alvoroço

Foto: Jefferson Peixoto/ Secom PMS

Um ano depois da implantação da primeira motofaixa de Salvador, a prefeitura avalia expandir o modelo para outras avenidas de grande circulação da cidade, como a ACM e a Juracy Magalhães.

O corredor exclusivo para motociclistas começou a funcionar na Avenida Mário Leal Ferreira, conhecida como Bonocô, em março de 2025, nos dois sentidos da via.

De acordo com a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), entre março do ano passado e abril deste ano foram contabilizados 85 acidentes na avenida, sendo 79 envolvendo motocicletas. Apesar disso, o órgão afirma que nenhuma ocorrência foi registrada dentro da motofaixa.

Segundo o balanço, os acidentes deixaram 102 pessoas feridas, mas não houve mortes no trecho onde o espaço exclusivo foi implantado.

“Os dados iniciais são importantes para orientar os próximos passos da política de segurança viária voltada aos motociclistas. Não tivemos mortes, o que reforça a importância de medidas que priorizem a organização do tráfego e a proteção dos condutores”, afirmou o superintendente da Transalvador, Diego Brito.

Antes da implantação da motofaixa, o cenário era diferente. Um ano antes da mudança, a Bonocô registrou 65 acidentes, sendo 41 com motos envolvidas. Na época, duas pessoas morreram e outras 56 ficaram feridas.

Salvador foi a terceira capital brasileira autorizada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) a adotar o modelo viário.

A motofaixa foi implantada entre as faixas 1 e 2 de cada sentido da Bonocô, próximas ao canteiro central. O espaço recebeu sinalização azul e branca com linhas tracejadas, sem redução do número de faixas destinadas aos demais veículos.

Para permitir a operação do corredor exclusivo, a velocidade máxima da avenida foi reduzida para 60 km/h, regra que também vale para os motociclistas.

Expansão em estudo

Segundo a Transalvador, estudos técnicos estão em andamento para avaliar a implantação de novas motofaixas em corredores estratégicos da cidade.

Entre as avenidas analisadas estão a Juracy Magalhães e a Antônio Carlos Magalhães (ACM), duas das vias com maior fluxo de veículos da capital baiana.

Os estudos consideram fatores como volume de tráfego, geometria das vias, segurança viária e comportamento dos condutores.

“Ainda dentro desse processo de ampliação, já enviamos um ofício para a Senatran para que possamos ter um aval para essas novas implantações”, disse Diego Brito.

Acidentes com motos preocupam

Dados da Transalvador mostram que, apenas nos dois primeiros meses de 2025, Salvador registrou 464 acidentes envolvendo motocicletas, com 11 mortes.

No mesmo período do ano anterior, foram 467 ocorrências e 18 óbitos.

Ao longo de 2024, a capital contabilizou 3.063 acidentes com motos e 84 mortes de motociclistas. O número representa 59% de todas as mortes no trânsito registradas na cidade no período.

O crescimento da frota também chama atenção. Segundo o Detran-BA, 2024 foi o ano com maior número de motos emplacadas em Salvador, com 16.851 novos veículos registrados.

Nos últimos cinco anos, a quantidade de motocicletas na capital passou de 160 mil para mais de 200 mil unidades, sem considerar veículos de cidades vizinhas que circulam diariamente por Salvador.