Bolsa brasileira aciona circuit breaker após reeleição de Lula e Ibovespa futuro despenca

Ibovespa chegou a recuar 19,85% durante a manhã desta segunda-feira (26); dólar avançou mais de 12% na abertura, em meio à forte instabilidade do mercado financeiro.

Por: Redação Alvoroço

Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

A bolsa de valores brasileira, a B3, acionou o mecanismo de circuit breaker na abertura do pregão desta segunda-feira (26/10), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida foi adotada em meio à forte queda do Ibovespa futuro, índice negociado antes do início das operações regulares, previsto para as 10h.

As negociações foram retomadas às 10h40, mas o mercado continuou registrando oscilações expressivas. No início das operações, o índice marcava 202.928,87 pontos, com queda de 1,05%. Às 10h46, o recuo chegou a 16,94%, levando o indicador aos 170.340,70 pontos.

A instabilidade persistiu ao longo da manhã. Às 11h34, o índice estava em 170.693,37 pontos, com baixa de 16,77%. Durante o pregão, o Ibovespa chegou a registrar queda de 19,85%.

O circuit breaker é um mecanismo de proteção utilizado em momentos de forte volatilidade. A ferramenta interrompe temporariamente as negociações para permitir que os investidores reavaliem suas posições e reduzir os efeitos de movimentos extremos no mercado.

A última vez que o mecanismo havia sido acionado foi em março de 2020, durante o período inicial da pandemia de Covid-19.

Dólar dispara na abertura

O dólar comercial também registrou forte alta na abertura do mercado à vista nesta segunda-feira. Às 9h30, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,60, com valorização de 12,5% em relação ao fechamento anterior.

Ao longo da manhã, a alta perdeu intensidade. Às 10h51, o dólar estava cotado a R$ 5,51, com avanço de 10,44%. Às 11h32, a moeda recuou para R$ 5,47, ainda com valorização de 9,82%.

Na sexta-feira, o dólar havia encerrado o dia cotado a R$ 4,99, com queda de 0,90%.

A disparada da moeda norte-americana ocorreu em meio à forte instabilidade dos ativos brasileiros após o resultado eleitoral. O movimento também contribuiu para o cenário de tensão nos mercados financeiros durante a manhã.

Ações brasileiras negociadas no exterior recuam

Os papéis de empresas brasileiras negociados nos Estados Unidos também registraram perdas no pré-mercado após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro.

Entre os indicadores acompanhados por investidores, um fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras recuou 27%. No Japão, um fundo equivalente registrou queda de 15% durante a madrugada, a maior perda diária desde 2008, segundo os dados apresentados.

Petróleo opera em alta

No mercado internacional de petróleo, o barril do tipo Brent, referência para os preços globais da commodity, era negociado a US$ 114,96 às 8h desta segunda-feira, com valorização de 1,51%.

uando o circuit breaker foi acionado

O mecanismo já foi utilizado em diferentes momentos de turbulência econômica no Brasil. Entre os episódios estão:

  • 1997: durante a crise financeira asiática, o Ibovespa registrou queda de 10,19%;
  • 1999: em meio à desvalorização do real, o índice caiu 10,29% em um único dia;
  • 2008: durante a crise do mercado imobiliário dos Estados Unidos, foram registradas seis interrupções em menos de um mês;
  • 2020: no início da pandemia de Covid-19, o circuit breaker foi acionado seis vezes em março.

Na sexta-feira (23/10), antes do segundo turno das eleições, a bolsa brasileira havia encerrado o pregão aos 205.082,56 pontos, com alta de 0,47%.

Lula foi reeleito presidente no domingo (25/10) e permanecerá no cargo por mais quatro anos. O petista venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno na liderança da disputa.