Por: Redação Alvoroço

A Uefa e as 55 federações nacionais filiadas aprovaram por unanimidade, nesta quinta-feira (30), um boicote à Copa do Mundo e a todas as competições organizadas pela Fifa em resposta à proposta da entidade máxima do futebol de permitir a participação de investidores privados em seus principais torneios.
A decisão foi tomada após a Confederação Asiática de Futebol (AFC) divulgar uma carta às federações do continente manifestando forte oposição ao projeto e alertando que a iniciativa dificilmente avançaria sem o apoio das confederações continentais.
Em nota oficial, a Uefa declarou que rejeita integralmente a proposta da Fifa.
“A Uefa e suas 55 federações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da Fifa de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados.”
A entidade informou que, enquanto a proposta permanecer em discussão, as seleções filiadas à Uefa não disputarão torneios organizados pela Fifa.
“Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja totalmente abandonada e sejam dadas garantias vinculativas de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada.”
No comunicado, a Uefa argumenta que a Copa do Mundo não pode ser tratada como um ativo financeiro.
“Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma renúncia ao dever da Fifa como guardiã do futebol mundial.”
A entidade ainda afirmou que a entrada de investidores privados alteraria de forma permanente a administração das competições.
“No momento em que investidores externos adquirirem participações nas competições da Fifa, o futebol mudará para sempre. O retorno comercial se tornará uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores se tornarão uma pressão diária.”
AFC critica falta de diálogo
O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), xeique Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, também criticou a condução do processo e afirmou que a entidade não foi consultada antes do anúncio.
Segundo ele, a ausência de debates sobre aspectos jurídicos, financeiros e de governança tornou a proposta “totalmente inaceitável”.
“As ações unilaterais da Fifa parecem minar os próprios alicerces do futebol continental, que se baseiam na solidariedade, na cooperação e na transparência.”
As declarações aumentam a pressão sobre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, responsável pelo plano que prevê a criação de uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões para administrar a Copa do Mundo e outras competições, com possibilidade de venda de participações minoritárias a investidores privados.
Além da Uefa e da AFC, a Concacaf — responsável pelo futebol da América do Norte, América Central e Caribe — também criticou a falta de diálogo da Fifa com as confederações antes da apresentação da proposta.