Doença já provocou ao menos 88 mortes no país africano; autoridades alertam para alta taxa de letalidade da variante identificada
Por: Lucas Gravatá

A Organização Mundial da Saúde declarou neste domingo (17) que o surto de ebola registrado na República Democrática do Congo passou a ser tratado como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”.
Segundo dados divulgados pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, ligado à União Africana, o país já contabiliza 88 mortes possivelmente relacionadas ao vírus, além de um óbito confirmado em Uganda. Ao todo, 336 casos suspeitos estão sob investigação.
As autoridades de saúde afirmam que o avanço da doença preocupa devido à dificuldade de acesso às regiões afetadas, o que limita a realização de exames laboratoriais e dificulta o monitoramento da disseminação do vírus.
Os testes realizados até agora identificaram a cepa Bundibugyo do ebola. De acordo com o ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, ainda não existe vacina nem tratamento específico para essa variante.
“Com esta cepa, a taxa de letalidade é muito alta, pode atingir 50%”, afirmou o ministro durante coletiva de imprensa.
O atual episódio da doença ocorre poucos meses após outro surto enfrentado pelo país entre agosto e dezembro de 2025, quando ao menos 34 pessoas morreram.
Na capital Kinshasa, exames preliminares apontaram oito casos positivos entre 13 amostras analisadas, cenário que reforça o temor de rápida disseminação da enfermidade.
Em Uganda, o Ministério da Saúde confirmou a morte de um homem congolês de 59 anos em um hospital da capital Kampala. Apesar do registro, as autoridades informaram que não há, até o momento, transmissão local confirmada no país.
O ebola é uma febre hemorrágica grave e altamente contagiosa, transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, dores musculares, vômitos, diarreia e sangramentos.