Por: Redação Alvoroço

Uma descoberta científica desenvolvida ao longo de mais de duas décadas por pesquisadores brasileiros vem despertando otimismo no combate às lesões medulares, lesões graves que podem deixar pessoas paralisadas do pescoço para baixo. A substância em foco é a polilaminina, uma forma modificada da proteína laminina, que tem mostrado resultados promissores em estímulo à regeneração de axônios, as fibras nervosas danificadas na medula espinhal, e na recuperação de movimentos em alguns casos experimentais.
Um dos casos que ganhou repercussão foi o de Bruno Drummond de Freitas, vítima de um acidente de carro em 2018 que resultou em lesão cervical grave. Após receber o tratamento experimental e passar por reabilitação intensiva, ele conseguiu recuperar movimentos e voltou a caminhar, gerando emoção na equipe médica e nos familiares.
“Eu comecei a tentar mexer o corpo, não sentia nada, não mexia nada. Meu diagnóstico primário ali, era que eu iria ser um cadeirante, que eu não iria ser independente. Teriam que me carregar na cadeira de rodas”, disse Bruno ao participar do programa “The Noite com Danilo Gentili”, no SBT.
A polilaminina está sendo testada em estudos clínicos de fase 1 autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de 2026. O projeto é liderado pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a farmacêutica Cristália e visa avaliar a segurança do tratamento em pacientes com lesões medulares.
Embora ainda esteja na fase inicial de testes, relatos de estudos-piloto têm chamado a atenção. Em experiências anteriores, alguns pacientes que receberam a polilaminina relatam recuperação parcial ou significativa de movimentos em membros que antes estavam paralisados, algo considerado improvável em lesões completas sob tratamentos convencionais.
A pesquisadora, Tatiana Coelho, explica que a polilaminina é um produto extraído da proteína natural do corpo humano, a Laminina, responsável por estimular o crescimento de axônios e neurônios durante a formação da medula e do cérebro.
“Laminina é uma proteína natural, que a gente tem no corpo e durante o desenvolvimento do cérebro e da medula, ainda na gestação, os axônios e neurônios andam por cima dessa laminina, como se fosse uma pista. Então, usar a laminina pra regenerar esse tipo de lesão, faz todo sentido”, explica Tatiana.
No caso em estudo, a polilaminina está sendo usada para regenerar as lesões causadas na medula de Bruno.
Ainda assim, a pesquisa com polilaminina abre uma perspectiva inédita na medicina regenerativa e representa uma esperança concreta para milhões de pessoas que vivem com paralisias decorrentes de lesões medulares, um campo em que, por décadas, as opções terapêuticas foram limitadas e focadas principalmente na reabilitação, sem oferecer restauração dos circuitos nervosos danificados.