PL lança Rogério Marinho como candidato à presidência do Senado

Senador do Rio Grande do Norte afirma que pretende “destravar pautas” da oposição, incluindo o projeto de anistia; disputa também tem Tereza Cristina como possível concorrente e será realizada em 1º de fevereiro.

Por: Redação Alvoroço

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O Partido Liberal (PL) confirmou nesta quarta-feira (4), em reunião realizada em Brasília, a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal. A eleição para o comando da Casa está marcada para 1º de fevereiro do próximo ano.

Durante o encontro, que reuniu cerca de 30 senadores, Marinho afirmou que pretende trabalhar para “destravar pautas” defendidas pela oposição. Entre os temas citados está o projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado.

“O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado”, afirmou o senador.

Segundo informações do jornal O Globo, Marinho também defendeu a adoção do voto aberto na eleição da Mesa Diretora, atualmente realizada de forma secreta. A proposta, de acordo com ele, permitiria que a população acompanhasse a posição de cada parlamentar.

Em entrevista coletiva após o lançamento da candidatura, o senador disse ter sido escolhido pela bancada para representar a oposição na disputa. Ele classificou a votação aberta como necessária, mas ponderou que ainda será preciso discutir como implementar a mudança.

“Voto aberto é extremamente recomendável e necessário, mas vamos avaliar de que forma podemos fazer”, disse.

Marinho descarta campanha baseada em pedidos de impeachment

O senador também comentou a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que sua candidatura não terá como principal bandeira pedidos de impeachment de ministros da Corte.

Marinho declarou que pretende defender o cumprimento da Constituição, mas ressaltou que eventuais denúncias de crimes de responsabilidade deverão ser consideradas.

“Evidente que não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omissos, mas não vamos antecipar ou fazer juízo de valor”, afirmou.

O lançamento reuniu integrantes do PL e parlamentares de outras siglas, como o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), além de Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). A participação de representantes de outros partidos integra a estratégia de ampliar o apoio à candidatura para além da bancada liberal.

Rogério Marinho e Tereza Cristina negociam possível aliança

Durante a coletiva, Marinho afirmou que conversou com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) na manhã desta quarta-feira (4). A parlamentar também articula uma candidatura à presidência do Senado.

O senador reconheceu que a ex-ministra da Agricultura tem legitimidade para disputar o cargo e disse que os dois devem tentar viabilizar seus nomes antes de buscar uma composição.

“A Tereza tem toda a legitimidade para ser candidata. Conversamos pela manhã. Ela naturalmente vai tentar viabilizar sua candidatura e, em momento oportuno, vamos convergir”, afirmou.

Na terça-feira (3), Tereza confirmou que mantém conversas com Marinho, mas declarou que não pretende desistir da disputa neste momento. A senadora busca apoio de diferentes partidos, incluindo integrantes do Centrão, para fortalecer sua candidatura.

Alcolumbre tem apoio de partidos, mas enfrenta resistências

Os presidentes do União Brasil e do Progressistas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, anunciaram apoio à permanência de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado. As duas siglas integram a federação União Progressista.

Alcolumbre também conta com o respaldo das direções do MDB, PSD e PT, embora existam parlamentares dessas bancadas que resistam à continuidade do atual presidente no cargo.

Já Rogério Marinho tem o apoio do senador Flávio Bolsonaro e de Carlos Bolsonaro (PL-SC). O PL pretende utilizar o tamanho de sua bancada na próxima legislatura para reivindicar o comando do Senado.

A eleição está prevista para 1º de fevereiro e será realizada por voto secreto. O modelo permite que senadores votem de maneira diferente da orientação anunciada pelas direções de seus partidos, o que pode resultar em dissidências durante a escolha do novo presidente da Casa.