Em nota, autoridades afirmam que combate às facções é prioridade do Estado brasileiro e criticam tentativas de interferência externa
Por: Redação Alvoroço

O governo brasileiro se manifestou após os Estados Unidos anunciarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em nota divulgada nesta quinta-feira (28), o Executivo afirmou que o Brasil mantém um combate permanente às facções criminosas e reforçou que a definição sobre a forma de enfrentamento desses grupos cabe exclusivamente às instituições brasileiras.
No documento, o governo destacou que PCC, CV e outras organizações criminosas atuam principalmente por meio do tráfico de drogas, armas e outras atividades ilícitas com objetivo de obter lucro, diferenciando essas ações do terrorismo internacional motivado por razões ideológicas, políticas ou religiosas.
“O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”, afirma a nota.
O texto também faz críticas a integrantes da família Bolsonaro, acusados pelo governo de buscar apoio de autoridades estrangeiras para influenciar questões internas do Brasil.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, diz o comunicado.
Segundo o governo, o combate ao crime organizado continua sendo uma das principais prioridades da gestão federal. A nota cita a aprovação recente de uma legislação que amplia penas para integrantes de facções e milícias, além da implementação do programa “Brasil contra o Crime Organizado”.
O documento ainda destaca que o país mantém cooperação internacional com diversas nações, incluindo os Estados Unidos, para combater organizações criminosas transnacionais. De acordo com o governo, uma proposta de ampliação da colaboração entre os dois países foi apresentada ao Departamento de Estado norte-americano em abril deste ano.
Apesar de defender a cooperação internacional, o governo alertou para possíveis consequências de medidas adotadas unilateralmente por outros países.
“Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”, afirma a nota.
O comunicado também argumenta que ações não negociadas podem prejudicar o compartilhamento de informações entre forças de segurança, afetar o sistema financeiro brasileiro e comprometer estratégias de combate ao crime organizado.
Ao final, o governo reforçou a defesa da autonomia nacional.
“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”