Cine Glauber Rocha restringe acesso ao terraço em Salvador após casos de vandalismo

Por: Redação Alvoroço

Foto: Divulgação

O tradicional Cine Glauber Rocha, localizado no Centro Histórico de Salvador, passou a limitar o acesso ao terraço panorâmico do espaço apenas para clientes que adquirirem ingressos para sessões de cinema. A mudança, implantada há cerca de três semanas, provocou repercussão nas redes sociais e abriu debate sobre acesso a equipamentos culturais da capital baiana.

A discussão ganhou força após um vídeo publicado pelo influenciador Marcelo Filho, conhecido como Ruivo Baiano, questionando a nova regra. Na gravação, ele relata que foi impedido de subir ao terraço sem apresentar ingresso. O espaço é conhecido pela vista para a Baía de Todos-os-Santos e costuma receber visitantes, eventos culturais e apresentações musicais.

Em meio à repercussão, a direção do cinema informou que a decisão foi motivada por episódios frequentes de vandalismo registrados nos últimos meses. Segundo o diretor Claudio Marques, o equipamento sofreu danos em áreas internas e no próprio terraço.

“Infelizmente, nos últimos meses, começamos a ter comportamentos que não condizem com o local. E, algo que nunca tinha acontecido, tivemos depredação do cinema”, afirmou.

De acordo com a administração, foram registrados casos de pichações, furtos de luminárias, danos em banheiros e destruição de desenhos ligados à memória do cineasta Glauber Rocha. A direção afirma que, após a adoção do acesso controlado, os problemas deixaram de acontecer.

“Operamos com acesso controlado há pouco tempo e os resultados são positivos: as depredações cessaram e o ambiente voltou a ser tranquilo e acolhedor”, informou o cinema em nota.

A medida também gerou discussões sobre o caráter público do espaço, já que o imóvel pertence ao Governo da Bahia e funciona por meio de concessão. Nas redes sociais, parte dos frequentadores criticou a restrição e apontou preocupações com possível elitização do Centro Histórico. Outros usuários defenderam a cobrança, argumentando que o espaço possui custos de manutenção elevados.

Em resposta às críticas, a administração do cinema afirmou que o equipamento foi restaurado com investimento privado e que se mantém financeiramente com recursos próprios, exceto pelo apoio recebido através da Lei Paulo Gustavo. Segundo o Cine Glauber Rocha, o aluguel pago ao Estado é convertido em ingressos destinados a estudantes da rede pública estadual.

A repercussão também mobilizou nomes do setor cultural. O cineasta Kleber Mendonça Filho manifestou apoio à decisão da gestão e defendeu ações voltadas à preservação do patrimônio cultural.